O BOSQUESeis letras e muitas árvores, quantas árvores, árvores, árvores... sou arvore, sou pedra, sou terra, sou humo... Uma clareira iluminava o que já fora uma velha ruína, seis pilares de pedra que sustentavam no passado uma história desconhecida, nunca fiz mal a ninguém, somente servi de apoio para os transeuntes que ali fizeram história. Sempre servi de abrigo para todos sem distinção de raça, gênero, cor, idade ou até mesmo estado civil... Para os alunos fui uma passagem sem importância, pois o objetivo final era o forame existente no muro, como árvore eduquei, forneci sombra e brisa, sempre que possível sussurrei para os alunos: - “não fujam estou aqui”.
Quantas vezes vi professores passeando sobre minhas folhas no chão, quantos contos de fadas já acreditei, sempre acolhi as crianças que não tinham espaço no terreno duro e cinzento, acho que brinquei de bambolê, segurei algumas bolas nos galhos, dias que não esqueço mais, ao longe vi a escola crescer, conseguia fitar o bairro como ninguém, sempre imponente e misterioso nunca deixei a comunidade sozinha, fui uma ilha cercada de asfalto por todos os lados, fui remanescente de uma mata maior.
Agora parte de mim desabou, mais uma vez abro as portas para o progresso, sobraram poucas árvores, senti no coração uma estaca, uma não, várias estacas, traspassando e rompendo com o passado natural. Com muita tecnologia e suor em poucas horas e vários dias, sobrepõem em minhas costas um peso que acredito ser o que há de melhor para as próximas gerações.
Agradeço a todos que um dia viram pela manhã o sol entremear meus troncos e puderam observar as folhas saudarem com vigor o outono, sou grato pelos pássaros que ali fizeram seus ninhos e a chuva que incansavelmente lavou minha alma. Hoje, sou lembrança, sou saudade de dias que não voltarão jamais.
Santo André 29 de junho de 2010
Leonel Delgado de Paiva – Professor de Educação Física

